Hannibal ad portas!

Toda a gente quer alcançar a felicidade, embora em verdade ninguém conheça com toda a clareza o caminho que lá vai dar. Nos últimos meses, este blog tem servido para partilhar algumas sugestões culturais que me parecem úteis para encontrar a felicidade.

O nosso meio cultural tem vindo sendo conquistado pelo marxismo e correntes afins, as quais, a meu ver, não oferecem uma solução para os nossos problemas do dia-a-dia, mas antes criam a ilusão de uma felicidade fácil e imediata que acaba por conduzir ao desespero (vide e.g. a prevalência do consumo de psicofármacos na nossa sociedade).

Estas manobras mais ou menos descaradas têm passado pela posse dos meios de comunicação social e artística - partidos políticos, associações sindicais e outras civis e militares, cinema, literatura, filosofia, música, teatro, televisão, internet, e até religião - por parte de caudilhos indoctrinados que fazem uso desses meios para derrubar os três grandes pilares da nossa civilização: a moral judaico-cristã, a filosofia grega, e o direito romano.

Não admira portanto que se veja crescendo a ignorância acerca da nossa religião mais que bimilenar, pela nossa herança intelectual, substituída pelas "filosofias" (e até medicinas!) orientais (as quais, ainda que imbuídas de bons sentimentos partilhados pela maioria da humanidade, radicam na superstição e nada acrescentam às religiões europeias pré-cristãs polytheístas, dendrolátricas, e visceromânticas), e, finalmente, o atentado a certas instituições jurídicas como a intocabilidade da vida humana inocente ou o matrimónio.

Ora, acontece que o ocidente, sofrendo de um complexo de inferioridade histórico-cultural em relação aos outros povos, se coloca à mercê de quem dele se queira apoderar. Assim como no síndrome da imunodeficiência adquirida o corpo não reage perante cancros autofágicos e infecções oportunistas, também a cultura europeia fragilizada pela revolução cultural neomarxista não reagirá perante a geada moura já em curso, e sucumbirá.

De facto, o fenómeno já se chegou para cá do império romano do oriente (brrr, que frio!), e neste momento está em curso a tomada - demográfica, cultural, política, e bélica se necessária - de toda a Europa, da América do Norte, da América Latina e da nossa nação irmã Brasileira, da nossa vizinha Espanha, e até do nosso país.

Note-se que não estou contra a liberdade religiosa que cada um tem para decidir como deve perseguir a felicidade, nem contra as pessoas pacíficas que seguem determinada opção espiritual. Simplesmente, aquela religião, por aquilo em que se fundamenta, legitima e não consegue contrariar as minorias que surjam querendo aniquilar a nossa civilização, e a nossa liberdade.

Por esta razão, decidi juntar-me a um amigo num seu blog, e não mais terei tempo de aqui acrescentar conteúdos. Convido a minha meia dúzia de leitores mais ou menos esporádicos a usufruirem do que aqui se partilhou, quer nestas míseras mensagens, quer nos widgets à direita, quer no referido blog, proto-plataforma lusa anti-geada.

A vós, ó geração de Luso, digo,
Que tão pequena parte sois no mundo;
Não digo inda no mundo, mas no amigo
Curral de Quem governa o céu rotundo;
Vós, a quem não somente algum perigo
Estorva conquistar o povo imundo,
Mas nem cobiça, ou pouca obediência
Da Madre, que nos Céus está em essência :

Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,
Que o fraco poder vosso não pesais;
Vós, que à custa de vossas várias mortes
A lei da vida eterna dilatais:
Assim do Céu deitadas são as sortes,
Que vós, por muito poucos que sejais,
Muito façais na santa Cristandade:
Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade!

Vede-los Alemães, soberbo gado,
Que por tão largos campos se apascenta,
Do sucessor de Pedro, rebelado,
Novo pastor, e nova seita inventa:
Vede-lo em feias guerras ocupado,
Que ainda com o cego error se não contenta,
Não contra o soberbíssimo Otomano,
Mas por sair do jugo soberano.

Vede-lo duro Inglês, que se nomeia
Rei da velha e santíssima cidade,
Que o torpe Ismaelita senhoreia,
(Quem viu honra tão longe da verdade?).
Entre as Boreais neves se recreia,
Nova maneira faz de Cristandade:
Para os de Cristo tem a espada nua,
Não por tomar a terra que era sua.

Guarda-lhe por entanto um falso Rei
A cidade Hierosólima terrestre,
Enquanto ele não guarda a santa lei
Da cidade Hierosólima celeste.
Pois de ti, Galo indigno, que direi?
Que o nome Cristianíssimo quiseste,
Não para defendê-lo, nem guardá-lo,
Mas para ser contra ele, e derrubá-lo!

Achas que tens direito em senhorios
De Cristãos, sendo o teu tão largo e tanto,
E não contra o Cinyphio e Nilo, rios
Inimigos do antigo nome santo?
Ali se hão-de provar da espada os fios
Em quem quer reprovar da Igreja o canto.
De Carlos, de Luís, o nome e a terra
Herdaste, e as causas não da justa guerra?

Pois que direi daqueles que em delícias,
Que o vil ócio no mundo traz consigo,
Gastam as vidas, logram as divícias,
Esquecidos de seu valor antigo?
Nascem da tirania inimicícias,
Que o povo forte tem de si inimigo:
Contigo, Itália, falo, já submersa
Em vícios mil, e de ti mesma adversa.

Ó míseros Cristãos, pola ventura,
Sois os dentes de Cadmo desparzidos,
Que uns aos outros se dão à morte dura,
Sendo todos de um ventre produzidos?
Não vedes a divina Sepultura
Possuída de cães, que sempre unidos
Vos vêm tomar a vossa antiga terra,
Fazendo-se famosos pela guerra?

Vedes que têm por uso e por decreto,
Do qual são tão inteiros observantes,
Ajuntarem o exército inquieto
Contra os povos que são de Cristo amantes;
Entre vós nunca deixa a fera Aleto
De semear cizânias repugnantes:
Olhai se estais seguros de perigos,
Que eles e vós sois vossos inimigos.

Se cobiça de grandes senhorios
Vos faz ir conquistar terras alheias,
Não vedes que Pactolo e Hermo, rios,
Ambos volvem auríferas areias?
Em Lídia, Assíria, lavram de ouro os fios;
África esconde em si luzentes veias;
Mova-vos já sequer riqueza tanta,
Pois mover-vos não pode a Casa Santa.

Aquelas invenções feras e novas
De instrumentos mortais da artilharia,
Já devem de fazer as duras provas
Nos muros de Bizâncio e de Turquia.
Fazei que torne lá às silvestres covas
Dos Cáspios montes e da Cítia fria
A Turca geração, que multiplica
Na polícia da vossa Europa rica.

Gregos, Traces, Arménios, Georgianos,
Bradando-vos estão que o povo bruto
Lhe obriga os caros filhos aos profanos
Preceptos do Alcorão (duro tributo!)
Em castigar os feitos inumanos
Vos gloriai de peito forte e astuto,
E não queirais louvores arrogantes
De serdes contra os vossos muito possantes.

Mas, entanto que cegos e sedentos
Andais de vosso sangue, ó gente insana,
Não faltarão Cristãos atrevimentos
Nesta pequena casa Lusitana:
De África tem marítimos assentos,
É na Ásia mais que todas soberana,
Na quarta parte nova os campos ara,
E se mais mundo houvera, lá chegara.

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Minha Linda Senhora

Para ver e rever com toda a família esta insuperável comédia musical sobre a rehabilitação da pessoa motivada e ajudada por terceiros. Melhorar é possível!

Realização de George Cukor, nos U.S.A., em 1964, baseada no livro de Alan Jay Lerner e na peça de George Bernard Shaw. Com o foneticista Rex Harrison, o coronel gentleman Wilfrid Hyde-White, e a elegantérrima My Fair Lady Audrey Hepburn, dobrada na maioria das músicas pela mais canora Marni Nixon.

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Do Céu caíu uma Estrela

Em vésperas de Natal, antes que mais gente perca o sentido da vida e sem esperança lhe ponha termo, veja-se este poderoso antídoto contra a depressão:

It's a Wonderful Life!

Frank Capra, 1946, Estados Unidos da América. Com James Stewart (o pobre desgraçado), Donna Reed (a esposa e mãe de família), Henry Travers (a Estrela), Lionel Barrymore (o avaro), Thomas Mitchell, Beulah Bondi, et multis aliis.

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Confesso!

Tributo aos sacerdotes católicos que carregam mudos os pecados alheios.


Em 1953, Alfred Hitchcock escolheu o Québec, no Canadá, para filmar A Tortura do Silêncio (I confess), no lugar católico e anglófono mais próximo dos States. Com Montgomery Clift (padre), Anne Baxter, Karl Malden, Brian Aherne, et aliis. Música de Dimitri Tiomkin.

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As Estrelas da Minha Coroa

Encantador este western sobre a normalidade da vida. Um filme simples, para toda a família, e com uns apontamentos sobre febre tyfóide.

Stars in my crown (1950), Jacques Tourneur, Estados Unidos da América. 89 min a preto e branco, com Joel McCrea (o pregador), Ellen Drew (a esposa), Dean Stockwell (o órfão), Juano Hernandez (o negro temente a Deus), Amanda Blake (a professora), Lewis Stone (o médico doctor), James Mitchell (o médico alumno), et al.

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O Leopardo

Na Sicília do século XIX, a família aristocrata de Salina vê-se ameaçada pelas mudanças sociais e políticas do Risorgimento italiano. Também sobre a morte este filme. Eis um excerto da famosa cena do baile:

Luchino Visconti, 1963, língua italiana. Baseado na obra homónyma de Giuseppe Tomasi di Lampedusa. Com Burt Lancaster (il Gattopardo, Don Fabrizio Corbera), Claudia Cardinale (Angelica), Alain Delon (Tancredi, o sobrinho), Rina Morelli (Princesa), Romolo Valli (o padre da família), ed altri.

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A Palavra

Intensíssimo drama sobre a fé.

Ordet, Carl Theodor Dreyer (baseando-se numa peça de Kaj Munk), Dinamarca 1955, 120 minutos, dinamarquês, preto e branco. Música de Poul Schierbeck. Com Henrik Malberg (o avô patriarca), Preben Lerdorff Rye (João, o teólogo louco), Emil Hass Christensen (Mikkel, o marido descrente), Birgitte Federspiel (Inger, a esposa bondosa), Cay Kristiansen (o benjamim), Gerda Nielsen (a donzela), Ejner Federspiel (o sogro "herege"), Ove Rud (o pastor resignado), Henry Skjær (o médico positivista), Ann Elisabeth Groth (a menina), et aliis.

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Um Filme Falado

Esta história é uma professora, que é professora de História e Filosofia, e portanto sabe aquilo que ensina na Universidade aos alunos, não é? E, então, vai ter com o marido, a Bombaim, e aproveita esse facto para fazer férias... e aproveita esse facto para fazer um cruzeiro e ver os lugares de que ela fala aos alunos. (...)

O Malkovich faz... faz um americano, faz um americano. O poder hoje está na América. Esteve primeiro na Grécia, na Itália, na Europa, enfim... Passou de mediterrânico a anglo-saxónico, não é? Inglaterra, e depois da última guerra saltou para Washington. Mas a civilização é sempre mediterrânica. (...)

A Catherine Deneuve, pensa-se na França. Se pensar na Irene Papas, pensa-se, ainda talvez com maior força, na Grécia, não é? Ela é em si já uma grega, uma estátua viva da Grécia, antiga e actual. (...)

Não é um filme turístico, nem é didáctico. Nem é um documentário... mostrar as coisas, não é? É um filme de ficção, como outro qualquer.

video

Manoel de Oliveira, 2003, 95 min. Lisboa, Marselha, Nápoles, Pompeia, Atenas, Istambul, Cairo. Com Leonor Silveira, Filipa de Almeida, François da Silva, António Ferraiolo, Nikos Hatzopoulos, Alparslan Salt, Luís Miguel Cintra, Stefania Sandrelli, et aliis.

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Homossexualidade e Esperança

Destinado não só a pessoas com tendências homossexuais mas também aos seus pais, cônjuges, amigos, colegas de trabalho, e ainda a médicos, psicoterapeutas, professores, padres, &c., é este livro escrito por um psicólogo holandês especialista em homossexualidade:

Este livro foi escrito depois de mais de vinte anos de estudos sobre a homossexualidade e depois de ter tratado mais de duzentos e vinte homens homossexuais e uma trintena de mulheres lésbicas, seguindo os princípios da teoria da autocompaixão, (...) [a qual] representa a esperança de que pessoas prisioneiras do antigo preconceito de que a homossexualidade seja inata e imutável possam ser ajudadas a tornar-se emocionalmente mais maduras.

Ao longo de duzentas e vinte páginas, desfazem-se inúmeros mitos sobre o tema, muitos deles sob aparência científica, recorrendo-se à experiência clínica do autor, de Sigmund Freud, Wilhelm Stekel, Johan Leonard Arndt, e muita outra literatura da área.

Por exemplo, explica-se que, durante o seu normal desenvolvimento bio-psico-social, os adolescentes passam por um estado de imaturidade sexual (muitas vezes sem se aperceberem) em que sentem atracções eróticas por objectos e configurações animadas ou inanimadas, situações emotivamente excitantes, pessoas do mesmo sexo &c. - o estado "multi-sexual" -, o qual normalmente ultrapassam de modo rápido e irreversível logo que a atracção física pelo sexo oposto se impõe: "Isto é mesmo do que eu andava à procura!". As pessoas com tendências homossexuais vêem o seu desenvolvimento afectivo travado nesta fase multi-sexual, e canalizam-no para as pessoas do mesmo sexo.

Em resumo, estas pessoas sofrem de um complexo de inferioridade quanto à sua própria sexualidade, isto é, os rapazes sentem-se menos viris (quanto à resistência e força, aspecto físico, coragem, audácia) que os seus pares coetâneos, e as raparigas menos feminis (aptidões sociais, aparência física, interesses ocupacionais). Tal facto é muitas vezes secundário, no caso do rapaz, a uma educação em que a mãe é super-protectora e muito ansiosa e em que o relacionamento com o pai é deficiente ("pai ausente"): o pai despreza o filho mais novo em relação aos mais velhos; passa pouco tempo com a família; é pouco viril, e portanto um modelo deficiente de virilidade para o rapaz, &c.. No caso da rapariga, é a mãe, que - quando pouco íntima da filha ("mãe ausente"), ou quando a pretere aos outros filhos e filhas, ou quando não lhe dá autonomia, ou quando lhe transmite o seu próprio "pouco à vontade" enquanto mulher - acaba por não conseguir que se sinta apreciada como mulher, e encare o mundo feminino com naturalidade. Também o pai pode perturbar o normal desenvolvimento da identidade sexual da rapariga se a trata como um rapaz, se a gaba para comprar a sua dedicação, ou se revela marcado desinteresse ou reprovação pela sua feminilidade.

A criança sofrendo de um complexo de inferioridade ("sou gorda", "gostam mais do meu irmão do que de mim", "gaguejo", "os meus pais são pobres", "chumbei", etc.) sente-se inferior não só num aspecto de si, mas em toda a sua personalidade - exagero subjectivo próprio da personalidade infantil -, e tenta encontrar calor humano dentro de si, já que não lhe satisfaz o que recebe de fora. Mima-se, e sobrevaloriza as ofensas de que é vítima: "coitadinho de mim! sou tão infeliz!". É a auto-dramatização.

Quando se depara com as atracções homo-eróticas da fase multi-sexual, no despontar da sexualidade, o adolescente sente-se afastado dos colegas da mesma idade, e envergonha-se de não partilhar o interesse pelo outro sexo, tentando dissimular o facto e negando os seus sentimentos, perante si e os outros. Mais tarde, acaba por concluir: "sou homossexual". O desejo da criança que se sente merecedora de compaixão interliga-se ao erotismo sexual ainda imaturo e não focalizado em plenitude no sexo oposto: "sou diferente e inferior, estou condenado". Esta auto-identificação e a práctica de relações homossexuais são encaradas pelo jovem como a solução para todos os seus problemas, incluindo a solidão.

Note-se que a análise do tema é psicológica e não moral. O autor reconhece que, ao contrário da minoria militante, a maioria esmagadora das pessoas com tendências homossexuais não causam alarido, vivem perturbadas pela sua situação, pelo isolamento social, e pelo facto de ficarem solteiras e sozinhas. Sentem-se inferiores e infelizes, desesperadas até, e gostariam de mudar se soubessem possível.

Neste livro tão-bem se relata alguns casos de pessoas com sentimentos homossexuais, tratados ou em tratamento, com muitas citações na primeira pessoa:

É um mundo terrível e não o desejo nem ao meu pior inimigo. (...) Ao longo dos anos vivi com uma série de companheiros de quarto, alguns dos quais eu dizia amar. Eles juravam que me amavam. Mas as ligações homossexuais começam e acabam com o sexo. Além do sexo há bem pouco para fazer. Depois desse período inicial apaixonado, o sexo torna-se cada vez menos frequente; os parceiros ficam nervosos, começam a enganar-se um ao outro, primeiro às escondidas, depois cada vez mais às claras... Há então cenas de ciúmes e mexericos. Nessa altura dá-se o afastamento e cada um parte à procura de um novo amante.

A neopsicanálise apresentada pelo autor encaixa o complexo homossexual dentro do grande grupo das neuroses, perturbações emocionais originadas em complexos de inferioridade, vitimismos e infantilismos de personalidade, de que resultam as hesitações e emoções obsessivas, os sentimentos imotivados de insegurança e os conflitos interiores, sempre tão dolorosos, descritos por estes doentes.

Mas para além de explicar o problema, esta teoria oferece um tratamento - o "auto-humor" - que é eficaz a médio e longo prazo na medida em que a pessoa queira ajudar-se a si mesma. É o doente quem tem que fazer por si a parte essencial do trabalho, no dia-a-dia - o psicoterapeuta orienta:

  1. identificar os sentimentos infantis de sofrimento e inferioridade, em situações concretas;
  2. reprimir o desejo de contacto e romper a sua relação com o companheiro homossexual, sem demoras (agora)
  3. desdramatizar a sua situação actual;
  4. não perder a esperança quando houverem recaídas;
  5. treinar o humor: sorrir e rir-se das criancices ("coitadinho de mim!"), expôr as suas lamentações a ridículo.

Começando a tratar-se o Eu infantil com saudável ironia, reduz-se a sua solene importância.

(...)

As alterações no âmbito sexual devem ser vistas como parte da reorientação emocional de toda a pessoa.

Até que se extingam por completo os sentimentos homossexuais, surja a atracção pelo sexo oposto, e se torne possível uma relação matrimonial.

Por fim, para prevenir futuros casos de homossexualidade, propõe-se:

  1. que os pais ofereçam aos seus filhos um ambiente de afecto e união e que o seu próprio casamento seja um bom exemplo de uma relação normal e sólida entre um homem e uma mulher;
  2. que se apreciem os filhos rapazes como rapazes, e as raparigas como raparigas, apoiando as suas tendências naturais; e
  3. que seja dito aos mais novos que não existe tal coisa como a homossexualidade inata e que os sentimentos homossexuais da adolescência são problemas emocionais próprios do desenvolvimento normal, correspondentes a um complexo de inferioridade superável.

Escrito por Gerard van den Aardweg, traduzido por J. M. Costa André e publicado pela Diel em Portugal e no Brasil.

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Aves migratórias

Muito relaxante.

Jacques Perrin coordenou uma equipa de algumas centenas de pessoas e selecionou 94 minutos das mais de 400 horas de gravações obtidas para resultar esta fábula natural em que os pássaros parecem retratar o Homem (antropomorfismo). Aconselha-se o making of Peuple Migrateur. Personagens: abetardas, águias-de-cabeça-branca, albatrozes, alcas, anatídeos, andorinhas-do-mar-árctico, araras, calaus, cararás, cegonhas-brancas, cisnes-de-pescoço-preto, condores-andinos, corujas-das-neves, estorninhos, flamingos, gansos-bravos, gansos-canadianos, gansos-das-neves, gansos-de-faces-brancas, gansos, indianos, gansos-patola, garças, grous-canadianos, grous-da-manchúria, íbises, jacanas, mergulhões-de-crista, mergulhões-de-pescoço-preto, mobelhas-grandes, moleiros-grandes, papagaios-do-mar, patos, pardais, pelicanos-brancos, pernaltas, pinguins, piscos-de-peito-ruivo, pombos-torcazes, rolas-comuns, secretários, tetrazes et alii.

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O Vale era Verde

Um grande film noir, sobre um vale verde, os seus habitantes e como tudo mudou com a chegada da era industrial. Excelente fotografia e música coral tradicional galesa.

How green was my valley, John Ford, 1941, U.S.A., falado em inglês e galês. Walter Pidgeon, Maureen O'Hara, Roddy McDowall entre outros grandes actores. DVD da Twentieth Century Fox distribuído em Portugal pela LNK.

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Sete Noivas para Sete Irmãos

Filme musical bem dançado, cheio de humor e bons valores.

Realizado por Stanley Donen, 1954. Seven Brides (Jane Powell, Julie Newmar, Nancy Kilgas, Betty Carr, Virginia Gibson, Ruta Lee, Norma Doggett) for Seven Brothers (Howard Keel, Jeff Richards, Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox, Jacques d'Amboise). Música de Gene Paul com arranjos de Saul Chaplin, textos por Johnny Mercer.

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Microcosmos: o povo da erva

Os insectos são as personagens duma história fantástica:

C’est une prairie au petit jour, quelque part sur la Terre. Caché sous une prairie s’étend un monde démesuré, grand comme une planète. Les herbes folles s’y transforment en jungles impénétrables, les cailloux deviennent montagnes et le plus modeste trou d’eau prend les dimensions d’un océan. Le temps s’y écoule autrement. Une heure pour un jour, un jour pour une saison, une saison pour une vie. Mais pour aborder ce monde, on doit savoir faire silence et écouter ses murmures.

Realizado por Claude Nuridsany e Marie Pérennou, 1996. Para filmar os animais de perto e em movimento, inventou-se maquinaria robótica, colheu-se com paciência diversos exemplares da fauna e flora de Lévézou (perto de Aveyron, França), e nas cenas de interior (a maiorira) procurou-se não assar o cenário e os actores com excessiva luz. Laurent Quaglio e Bruno Coulais forjaram o som com captações do ambiente selvagem, efeitos sonoros e composição musical (o pateio duma formiga não se ouve!).

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Uma história simples

Baseado na vida real de um velhote americano, Alvin Straight, que se decide a fazer uma viagem de cura, sua e dos que vai encontrando pelo caminho. Um monumento à família e a quanto de belo e simples há no mundo.

Realização de David Lynch (é verdade, qualquer pessoa é capaz de fazer uma coisa boa), 1999. Richard Farnsworth, Sissy Spacek, et alii. Walt Disney Pictures, 112 minutos.

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O Homem que Matou Liberty Valance

O West desenvolvente terá que decidir como se quer governar: se pelo saque mais rápido e certeiro, se pela lei escrita e culta. Sempre bem humorado, The Man Who Shot Liberty Valance:

Realizado por John Ford (1962). Com John Wayne, James Stewart, Lee Marvin, Vera Miles, Edmond O'Brien, Andy Devine et alii.

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O Homem que Sabia Demais

Vale a pena ver todo o thriller só pela cena em Londres, no Royal Albert Hall, em que Bernard Herrmann dirige a London Symphony Orchestra, o Covent Garden Chorus e a solista Barbara Howitt na interpretação da cantata Storm clouds, de Arthur Benjamin.

Mas aqui fica o tema popular cantado por Doris Jay:

Alfred Hitchcock, 1956
Com James Stewart (The man who knew too much).

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O Caminho para Casa

Comovente história de amor na China rural no final da década de 1950.

我的父亲母亲 (A minha mãe e o meu pai), Zhang Yimou, 1999

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A Sombra do Guerreiro

Quanto pode valer um homem? Ensina Kagemusha, o sósia: que outros dêem a vida por ele, ou que o apedrejem. O filme parece lento - "A montanha não se mexe!" - mas depois dos primeiros minutos acompanhamos deliciados a alta nobreza nipónica na guerra civil que durante o século XVI dilacerou o país, já mudado pela chegada dos Nambam que levámos o vinho, o catolicismo, e as armas de fogo.

影武者, Akira Kurosawa, Japão, 1980.

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Pamplinas Maquinista

Um maquinista durante a guerra civil americana atravessa as linhas inimigas para salvar os seus dois amores, a locomotiva The General, e a sua noiva. Viva a pantomímica!


Realização e papel principal de Buster Keaton, 1926. Existem várias versões sonoras do filme, talvez o DVD mais fácil de encontrar em Portugal seja a versão da mk2 com música do japonês Joe Hisashi, que tem ainda a vantagem de reconstruir imagem por imagem a película original.

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Um Violino no Telhado

Brilhante adaptação ao cinema de um musical de sucesso. A história, baseada na situação dos judeus na Rússia do início do século XX, retrata com bom humor algumas particularidades desse povo e as dificuldades por que tem passado no contacto com outras culturas. Universal.

Fiddler on the Roof, Norman Jewison 1971. Topol no papel principal. Banda sonora: textos de Sheldon Harnick musicados por Jerry Bock. 181 min

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Por um punhado de dólares

Quem tolerar a primeira frase do filme, em italiano, vai com certeza papar este western spaghetti e chorar por mais. A grande estreia de Clint Eastwood no cinema (antes só fizera televisão) e o primeiro western de Sergio Leone (O bom, o mau e o vilão), filmado integralmente na Andaluzia espanhola, com actores italianos (excepto o principal) e a música soberba de Ennio Morricone, em que se reinventou um género cinematográfico já considerado extinto na década de 60 do século XX.

Uma pérola, per un pugno di dollari.

Distribuído em Portugal pela Costa do Castelo.

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Casa da Felicidade

Uma história de uma moça que cai em desgraça e é rejeitada pela sociedade. O filme que vale pelos diálogos, complexos na forma e no conteúdo, pelos ambientes luxuosos a condizer com a época, e, claro, pela excelente música. Mesmo uma ou outra lamechice mais empolada acabam por encaixar bem.

The House of Mirth, realizado por Terence Davis, 2000
135 lentos minutos, em inglês formal.
Com Gillian Anderson, Dan Aykroyd, Eric Stoltz, e muitos outros.
Banda sonora por Alessandro Marcello, Joseph Haydn, Aleksander Borodin, Wolfgang Amadeus Mozart, Gioachino Rossini et aliis.

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Vou para casa

Eis um filme para reflectir sobre o homem saturado da convivência social que encontra em casa e na família o seu único refúgio. Arte de grande qualidade: Eugen Ionescu (A morte do rei), William Shakespeare (A tempestade), Wagner (Lohengrin), Chopin (opus 69 interpretado por Maria-João Pires)...


Título original: Je rentre à la maison, em francês e inglês
Realização: Manoel de Oliveira
Madragoa Filmes, 2001

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Os Poderosos

Freak The Mighty mostra o que as crianças conseguem ensinar aos adultos. Um drama sobre dois amigos que enfrentam sérios problemas individuais em conjunto.


Com Kieran Kulkin (o doente que sofre de mucopolyssacharidosis typo IV ou syndrome de Morquio), Elden Henson (Max), et alii (Sharon Stone, Gillian Anderson, Gena Rowlands, Harry Dean Stanton, James Gandolfini, e música de Sting).
Realização de Peter Chelson, 1998
Língua inglesa

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A Missão

Filme imperfeito, falado em língua inglesa, com música que não é a da época e outros anachronismos, em particular na personagem do Cardeal Altamirano. Pode ainda confundir o spectador com os dilemas morais colocados. De facto, há quem pense que se trata de um filme contra a Igreja Católica, contra a Ordem de Jesus, e - má comparação com a actual América Latina - pro teologia (heresia) da libertação. Mas, para outros, The Mission ilustra uma Igreja universal, para todos (catholica), inspiradora de santidade através dos jesuítas da época, e sofredora da injustiça mundana.

Destaque para as paisagens deslumbrantes do Brasil, para as cenas da conversão, penitência e absolvição de um assassino inveterado, e para a performance dos índios Wuanana.

Com Jeremy Irons, Robert De Niro e música de Ennio Morricone.
Realização: Roland Joffé, 1986
Distribuído em Portugal pela Lusomundo Audiovisuais, com making of.

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